Agir, Agir

Agir

Cantor, compositor, produtor

Agir, nome artístico de Bernardo Correia Ribeiro de Carvalho Costa, é um cantor, compositor e produtor português, nascido a 18 de março de 1988. É filho do também cantor Paulo de Carvalho e da atriz Helena Isabel. Compositor desde os 12 anos de idade, Agir herdou dos pais a paixão pelas artes, mas é na música que prefere viver.

Luso Life: Como é que te consideras, acima de tudo? Músico?

Agir: Sim, acho que músico é a designação certa. Quem me conhece sabe que eu tenho bicho carpinteiro, não consigo estar quieto muito tempo, tinha que fazer mais qualquer coisa – tanto que tento sempre ter uma palavra a dizer na parte do vídeo, como até na gestão da carreira, não consigo mesmo estar quieto. Acho que é uma sorte poder fazer aquilo que gosto – porque e nós quando fazemos aquilo que gostamos, empolgamo-nos, apaixonamo-nos, queremos fazer mais.

LL: Consideras-te, portanto, uma pessoa de ação, tens que estar sempre ativo – mas houve alguma altura da tua vida em que te questionaste se era mesmo isto que querias? Ou tiveste sempre esta determinação?

Agir: Não, de todo. Inclusive a minha mãe sempre me disse que, se a música não desse, eu tinha que encontrar trabalho e por isso tatuei-me da cabeça aos pés, para não haver o mínimo perigo disso acontecer. (risos) Realmente, sempre foi música, música, música e tive a sorte de, mais tarde ou mais cedo, resultar. Não sei o que faria se não fosse cantor, mas estaria certamente ligado à música – ou a compor, ou dedicado ao management… de alguma forma eu estaria ligado à música, de certeza.

LL: Em que área te sentes mais tu?

Agir: Sinto-me sempre eu em qualquer lado onde esteja. Eu gosto muito, muito, de atuar ao vivo, mas se me dessem a escolher só uma coisa, eu sou “bicho de estúdio”, sou um bocadinho rato de laboratório. Gosto mesmo de produzir. O processo de criar realmente é a parte que eu mais gosto.

LL: Arrastas sempre multidões. E uma das características que tens é que, se houver pessoas a pedirem autógrafos até de manhã, tu ficas. É esse respeito pelo público que faz com que, também, tenhas tantos fãs atrás de ti sempre?

Agir: Eu penso que sim. Como disse, a parte do estúdio é a que me dá mais gozo, mas depois gosto de perceber o que é que resulta, o que é que não resulta – a partir daí as músicas deixam de ser só minhas e passam a ser também de uma data de pessoas. E são essas pessoas que fazem com que eu vá a vários sítios – que me pode levar ao Canadá, quem sabe. Por isso eu acho que é o mínimo que posso fazer – quando tenho oportunidade, estar um bocadinho com eles.

LL: Falta internacionalizar a música do Agir ainda?

Agir: É um objetivo. É algo que eu gostava. Mas também não é algo que me faça sentir pressionado. Acho que acontecerá naturalmente e acho que é assim que tem que ser. Não sei se será como cantor ou produtor, mas já nos estamos a virar para coisas fora de Portugal, de facto. Vamos ver o que acontece, sem grande pressão.

LL: Muito recentemente fizeste uma série de temas muito dedicados ao amor. “Até ao fim” com Diogo Piçarra, a “Minha flor” dedicada à tua mulher. Esses temas estão quase num polo oposto do “Falas Demais”, em que estás com uma mensagem quase de revolta com determinada postura que existe nas redes sociais, principalmente.

Agir: Sim. Revolta não será o termo, mas sim. Existe uma coisa muito cultural no hip-hop que é aquilo que se chama egotripping, que consiste basicamente em pormos em palavras e com trocadilhos engraçados coisas um bocadinho mais agressivas – não quer dizer que eu esteja em casa e que aquilo que eu estou ali a falar me tirem do sono, porque não tiram. Mas eu sinto-me muito coerente. Se ouvirmos o meu primeiro álbum, que é de 2010, se ouvirmos o mixtape que fiz a seguir, entretanto, em 2015 o álbum “Leva-me a sério” e agora este último “No Fame” – tem lá de tudo. Tem músicas do género da “Falas demais”, tem baladas, tem músicas como o “Tempo é dinheiro” – eu não me sinto com uma postura diferente, eu sempre gostei de fazer muita coisa, simplesmente há temas que escolho para singles e outros não.

LL: Hoje já és filho de Paulo de Carvalho, no sentido em que és mais Agir, que por sinal é filho de Paulo de Carvalho, do que eras há uns anos atrás? Há uns anos atrás o Paulo de Carvalho tinha um filho que até cantava umas músicas, era um bocado isso não era? Como é que se está a dar esse processo, em que tu agora até produzes discos do teu pai?

Agir: Eu acho que, independentemente de pai ou filho, nós gostamos os dois de música. Se reconhecemos competência um no outro, queremos trabalhar juntos. O facto de ser pai e filho torna as coisas mais engraçadas. Eu acho mesmo que se o meu pai não me reconhecesse competência para trabalhar com ele, eu não trabalharia só porque sou filho dele – gosto de acreditar que é assim. E o resultado acho que está à vista… Eu sou suspeito, mas acho que foi uma junção feliz.

ENTREVISTA: MADALENA BALÇA
FOTOS: ARLINDO CAMACHO

Agir. ARLINDO CAMACHO
Agir. ARLINDO CAMACHO

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