Peter Serrado on a black background

Peter Serrado

Filho de pais nascidos e criados no Alentejo, em Portugal, Peter Serrado tem bem vincadas as suas raízes. Ligado a Portugal pela música, pela língua e, claro, pela comida, Peter faz deste país do outro lado do Atlântico um canto também seu.

A sua música bem estruturada alia-se à voz enrouquecida, que lhe transporta maturidade e faz-nos imaginar até onde nos poderá levar Peter Serrado.

Sem medo de desafios, Peter participou no Festival da Canção, em Portugal, no ano de 2018 e, apesar de se apresentar com um tema em inglês, fez com que o público o acolhesse de braços abertos e ouvidos bem atentos.

Este lusodescendente faz agora parte da MDC e Arrival Music e lançou o seu primeiro álbum “Peter Serrado”, no passado dia 22 de fevereiro.

Luso Life: Como e quando começou esta tua vida mais profissional, digamos assim, na indústria da música?

Peter Serrado: Há cerca de dois anos atrás conheci o Reno, que é agora o meu manager. Descobriu-me online, no Facebook, gostou da minha voz num dos vídeos que publiquei.

Nesse momento da minha vida eu estava a tocar em sítios pequenos, bares, coffee shops… Ainda estou! (risos) Mas eu estava numa espécie de rotina, a mesma coisa todas as semanas, nada mudava, nada evoluía. Foi aí que ele me abordou e falámos sobre este projeto da MDC e da Arrival Music e eu achei que era uma boa oportunidade para começar uma outra etapa da minha carreira musical.

LL: Estás, como referiste, com a MDC Media Group e com a Arrival Music – como é que tem sido esta experiência?

PS: Estar com a MDC e Arrival Music fez-me evoluir enquanto artista e também enquanto pessoa. Aprendi a ter disciplina e fez com que eu me empenhasse mais. Escrevo mais, estou mais envolvido na música, mais dedicado e mais atento. Encontrei aqui a oportunidade de crescer a vários níveis.

LL: Acabaste de lançar um novo álbum – “Peter Serrado”. Fala-nos deste projeto.

PS: É verdade, lancei o meu álbum no dia 22 de fevereiro. Eu acho que os temas são todos muito bons e são realmente importantes para mim porque são estórias – minhas ou de alguém. Experiências que eu vivi ou simplesmente de outras pessoas com quem eu tive contacto. Há uma estória em todas as músicas e esse foi o objetivo do álbum.

LL: Se pudesses escolher uma música do teu álbum – qual seria e porquê?

PS: Eu acho que não vai ser um single, mas a cantiga que eu considero como preferida é a “Animal”. É uma música que, apesar de ser em inglês, vem das minhas origens portuguesas. Foi criada numa altura em que eu estava a ouvir Zeca Afonso – de quem eu gosto muito.
Eu queria fazer uma canção tipo folk e dar-lhe um cariz mais moderno. E a letra é forte, eu queria algo que tivesse impacto.

LL: Quais são as tuas maiores influências em termos musicais?

PS: Posso dizer Bruce Springsteen e, agora mais recentemente, Jack Savoretti. Gosto muito das vozes deles, ambas graves, mas para além disso são dois músicos que escrevem estórias. Sempre gostei de boa música com estórias. Eu gosto de ter um relacionamento com as cantigas e eles fazem isso muito bem.

LL: Quando estás no processo de criação, seja ele escrito ou a nível musical, no que te inspiras?

PS: Em tudo. Experiências pessoais ou num acontecimento da vida de alguém – seja ele meu conhecido ou não. Às vezes estou num café e ouço qualquer coisa que me faz pensar “ah, isto pode ser um bom tema!”. Mas acho que o som, o instrumental da música, vem do meu estado de espírito naquele dia em que crio. A parte lírica é baseada em situações reais ou experiências, mas o som realmente surge dependendo da forma como eu me sinto naquele momento.

LL: Acreditas que a tua experiência no Festival da Canção do ano passado foi uma espécie de recomeço?

PS: Sem dúvida. Eu participei no Festival da Canção para tentar subir mais um degrau. Antes disso eu estava sempre a fazer covers – que eu não desgosto! – mas eu queria mostrar mais. Mostrar o que eu gostava realmente de fazer, o meu estilo. Por isso a minha ideia foi participar nesse concurso para tentar subir mais um patamar e ver onde isso me levaria. A verdade é que me abriu muitas portas. Fiquei surpreendido com o apoio dos portugueses, lá em Portugal. Eu estava com a impressão que não iam gostar do meu tema porque era em inglês, mas foi precisamente ao contrário – as pessoas gostaram da música! Não ganhei, mas esse não foi o meu objetivo. O que eu queria era mostrar o meu trabalho e a verdade é que as pessoas gostaram.

LL: Achas que com essa participação no Festival da Canção, tendo milhares de pessoas a ver-te e ganhando assim uma plataforma tão poderosa de exposição, fez com que te preparasses melhor para a criação deste álbum? 

PS: Sim. Quando estive lá e cantei a Sunset as pessoas perguntavam-me sempre se eu estava já a trabalhar num álbum, como é que vai ser, quando é que sai, etc. E nessa altura, apesar de querermos fazer um álbum, ainda nem sequer estava no processo de criação. A única música gravada e, sem estar completamente gravada ainda, foi a Sunset, que levei ao concurso. Mas sim, sem dúvida que teve um impacto muito grande no meu álbum e também por isso tenho duas cantigas em português, porque eu queria, de facto, retribuir. É a minha forma de agradecer a todos em Portugal.

LL: Existem colaborações com alguém de Portugal neste álbum?

PS: Trabalhei com a Liliana Moreira, foi ela que escreveu as letras – esses temas estavam em inglês e ela adaptou da melhor forma para português, porque não é possível haver uma tradução literal. Achámos que estas duas cantigas eram perfeitas para ser em português e ela fez um belíssimo trabalho.

LL: Qual é a tua ligação a Portugal e às tuas “raízes”, como referes tantas vezes?

PS: Os meus pais são do Alentejo. Ambos cresceram em Portugal e por isso mesmo que, desde que nasci, que fizeram questão de me envolver na cultura portuguesa. Levavam-me à Casa do Alentejo e a outros clubes comunitários. Estou ainda hoje constantemente ligado a Portugal – seja pela música, seja pela comida! (risos)

LL: De que forma Portugal e a sua cultura te influenciam a nível musical?

PS: Um dos temas—Animal—foi como disse uma influência totalmente portuguesa. Na altura em que compus essa música, estava a ensaiar para um concerto de homenagem para o 25 de Abril, e então ouvia ainda mais Zeca Afonso. Acho que realmente me influencia imenso.

LL: Há algum artista português que consideres como o teu favorito?

PS: Zeca Afonso por causa da história e das estórias. Gosto também muito do Rui Veloso, tanto que a primeira canção que cantei em português foi o “Anel de Rubi”, para além de que ele é um génio quando toca guitarra.

LL: A indústria da música, nos últimos 10 anos, tem se mostrado muito diferente – principalmente pelas plataformas online que, agora, permitem a qualquer artista a oportunidade de expor o seu trabalho, gratuitamente, de uma forma rápida e fácil. E ainda, claro, as redes sociais, que funcionam como flecha, para o bem e para o mal. Eu queria saber o que pensas desta transição – se por um lado antes era mais difícil fazer chegar a tua música ao público, agora há muito mais oferta, o mercado está sobrecarregado e, consequentemente, há mais competição.

PS: Eu acho que as coisas são mais difíceis, claro. Neste momento há muita gente a fazer a mesma coisa, é um mercado, como disseste, sobrecarregado. Há milhares de pessoas a tentarem ser o próximo Justin Bieber através do YouTube. No entanto, eu penso que vejo as coisas um bocado de forma diferente e por isso não fico tão frustrado. Acredito que cada um de nós deve seguir a sua própria estrada para chegar onde quer. Não temos todos que ser “grandes” através da internet. E pondo as coisas nessa perspetiva, não se torna tão difícil… As pessoas é que criam essa dificuldade.

LL: Mas em relação à tua ligação com o público, com os fãs… É bem mais fácil agora, não é?

PS: Sim, sem dúvida, as redes sociais nesse aspeto são ótimas. É, aliás, quase a única forma de chegar às pessoas. Estamos a viver tempos diferentes. Há sempre um lado negativo e um positivo.

LL: Eu tenho ideia que hoje é mais fácil de se promover a música que os artistas criam… Apesar dessa sobrecarga que falámos, penso que ao mesmo tempo permite que pessoas que nunca tenhamos ouvido falar, tenham uma plataforma e que de repente sejam reconhecidos pelo seu talento…

PS: Sim, sim, sem dúvida nenhuma que serve bem para isso. Mas depende de uma coisa muito importante: a quantidade de seguidores que tens nas tuas redes. É muito difícil, há muita gente a fazer a mesma coisa… Parece fácil, mas não é bem assim. A sorte também é aqui um fator essencial.

LL: O que esperas que os fãs retenham da tua música?

PS: Espero que se identifiquem com as canções. Eu quero que as pessoas ouçam as minhas estórias, que entendam quem eu sou. Penso que este é um bom começo, um bom álbum, para explicar às pessoas quem eu sou. Espero que este projeto tenha impacto e marque a diferença.

LL: Quais são os próximos passos para Peter Serrado?

PS: Escrever mais, continuar a escrever muito. E se tudo correr bem—sem criar muitas expectativas, porque eu vivo a vida dia-a-dia—talvez uma turné. Pelo menos em Portugal eu gostava muito de fazer uma turné. E quem sabe, uma turné mundial, mas para isso tenho que trabalhar um pouco mais! (risos) Nunca se sabe!

TEXTO: CATARINA BALÇA
FOTOS: NOAH GANHÃO

Peter Serrado in front of house in Kensington Market
Peter Serrado in front of house in Kensington Market
Peter Serrado in window
Peter Serrado on porch with acoustic guitar
Peter Serrado reflection in window

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