Stella Jurgen

Moda Artistica

Durante séculos, os designers de moda têm vindo a criar as roupas mais ousadas para serem notados. Algumas não são práticas, mas representam uma afirmação. Ultimamente, vemos a arte a ser incorporada no nosso dia-a-dia, para enriquecer os nossos sentidos em todas as plataformas. Somos livres para expressar os nossos sentimentos e emoções, inclusive naquilo que escolhemos vestir. E porque não combinar os dois para definir o que somos: Arte e Moda. 

O sonho de desenhar e vestir aquilo que eu não podia comprar tornou-se uma realidade por dois motivos: queria roupas cool para mostrar o meu lado artístico, mas não podia comprá-las. E muitas outras pessoas também não podem. Enquanto criança, a minha mãe sempre fez roupas bonitas para mim e para a minha irmã. Durante toda a sua vida, foi costureira e fabricante de padrões, tanto em Portugal como na Argentina. Sentia-se feliz por vestir as suas duas filhas como se fossem bonecas, até sermos adolescentes. A minha irmã Marcela e eu, éramos um duo de cantoras “Stella e Marcela” e o seu incentivo era que tínhamos de estar ótimas para estar em palco. As nossas roupas eram desenhadas e costuradas pela minha mãe, com a aprovação do meu pai (o nossos gestor de marca). Ao crescer, o entusiasmo para comprar roupas foi adicionado à diversão e parecia satisfazer a fashionista que existia em mim. 

Há cinco anos, fui convidada para fazer parte dos Jazz Plazma, um trio de jazz que depressa se tornou a minha inspiração para me arranjar.  A necessidade de vestir roupas bonitas e únicas em palco, tornou-se também num hobby divertido, não apenas pela música mas também pela oportunidade de ser criativa nos meus outfits. Eu compro vestidos em segunda mão e altero-os para lhes dar mais detalhe. Não sei fazê-los do principio, mas fui capaz de os modificar de acordo com o meu gosto. Um dia, por coincidência, conheci uma mulher visionária, que nasceu para mudar o mundo – Karla Stephens-Tolstoy, Presidente do “Stand-up, Speak-up Apparel”. Depois de conversarmos, ofereci-me para lhe entregar obras de arte para ela imprimir na sua linha de roupa. O meu primeiro desenho foi o “Bite Me”, uma ilustração rebelde para representar uma posição contra a violência às mulheres. Esta obra de arte foi impressa numa coleção completa que incluía leggings, t-shirts, kimonos, camisolas de carapuço e malas. Outros desenhos foram usados para diferentes coleções anti-bullying, exigência de igualdade, empoderamento das mulheres e assistência social. Estava entusiasmada por criar o meu primeiro desfile de moda, para angariação de fundos para o Circle of Friends Breast Cancer, a beneficio da fundação de Cancro Princess Margaret, dirigida pela Angela Machado. A ideia surgiu da Clara Abreu, anfitriã do evento, que me desafiou a desenhar, produzir e financiar uma coleção completa, com acessórios a condizer, dedicada ao Cancro da Mama. Desenhei e produzi as malas “bijou” em pele, para condizer com o vestuário. Encontrei um fabricante de bens de pele, de luxo, em North York, e que era perfeito para as minhas malas únicas. Ver a minha arte aplicada a artigos que podemos vestir, fez-me querer mais. Explorei a possibilidade de imprimir a minha arte em tecido e, durante este passo, abriu-me inúmeras possibilidades em termos criativos. Arrisquei e imprimi os meus primeiros 5 metros de cetim com a minha própria arte. Estava aterrorizada por cortar o tecido e por isso foi a minha mãe que o fez. Ela ensinou-me como fazer um padrão e como costurar o vestido que eu tinha desenhado. Vesti o meu primeiro desenho, um vestido impresso, para o Dia da Mulher no Abrigo Centre, em 2018, e pintei ao vivo. Um mês depois, fui nomeada para os Waterfront Awards 2018 na categoria de Arte e Cultura. Que honra! Em setembro de 2018, surgiu a oportunidade de fazer uma exposição de arte a solo na Peach Gallery (College Street, Toronto), o Vince Nigro e o Manuel DaCosta encorajaram-me a dar vida à minha visão. E eu sabia o que tinha de fazer. Ia cobrir a galeria com cetim impresso. O processo para fazer isto acontecer foi trabalhoso, mas agradável. Primeiro, pintei todas as pinturas em tamanhos grandes, fotografei-as, preparei as obras de arte e depois imprimi-as em cetim. Imprimi 13 metros com a minha arte colorida e exibi as pinturas. Pensei em vendê-las como “arte ao metro”, mas infelizmente ninguém as comprou. Sem ficar desanimada, exclamei “Ótimo”! Irei fazer vestidos artísticos glamourosos. Rapidamente, fiquei ocupada a desenhar, cortar e costurar durante alguns meses, um a um. Nas redes sociais, publicava cada vestido que fazia e recebi ótimas reações. Alguns meses mais tarde, muito por crédito próprio, fui nomeada como finalista no Mississauga Arts Council MARTY’S Awards, na categoria de Moda Emergente e Beleza. Alguém perguntou-me, “Estás a usar Gucci?”, ao qual respondi: “Estou a usar Stella Jurgen, artístico tal como eu.” Já usei os meus vestidos para variados eventos especiais e atuações musicais. Dependendo do meu humor, tema ou gênero de evento, eu tenho seis por onde escolher. 

A incorporação da arte em roupa pode criar afirmações ousadas. Agora podemos levar a arte até às ruas, local de trabalho, supermercado, onde quer que vamos, promovemos artistas e enriquecemos a nossa cultura – a arte está na moda. Use-a!

O que se segue? Estou a fazer experiências com ganga reciclada. Será para a edição de setembro. 

TEXTO & FOTOS: STELLA JURGEN

Stella Jurgen lays on art prints

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