Liz Ramos Anderson Painting

Arte: Um tópico controverso e fascinante*

E porque me ensinei a pintar

Quando era criança, a minha mãe presenteou-me com um livro de mesa de café chamado “Impressionismo”, expondo-me ao mundo da arte. O livro era maior que eu, mas eu estimei-o e guardei-o durante semanas, assim como os contemporâneos fariam a uma boneca Ann esfarrapada. 

Estava hipnotizado com as imagens. As cores, as texturas, os objetos eram de outro mundo. Quase me ceguei ao olhar de tão perto o pontilhismo de George Seurat. Monet era o meu favorito. Imaginava ser adulto e ter a minha própria coleção de obras de arte, penduradas numa parede com vinte pés de altura, na minha casa imaginária. As crianças são tão sonhadoras… temos de os adorar por isso.

O meu primeiro apartamento tinha quinhentos pés quadrados; na minha parede estavam pendurados posters – Mark Rothko, Joan Miro e os Humble Pie’s “rocking” The Fillmore.

O pai de um dos meus colegas do ensino secundário era negociante de arte. Levou-me à galeria de arte em Yorkville, onde fui exposto pela primeira vez à arte moderna – as latas de sopa de Andy Warhol Campbell. Estava horrorizado, mas como qualquer adolescente que se tentava integrar, tenho a certeza que disse ao pai do meu amigo “achei-os muito fixes”.

Tive a sorte de viajar para Paris no início dos meus vinte anos, onde fui confrontado com obras de arte reais do livro da minha infância. Naquele período, a maioria dos impressionistas poderia ser visto na Gallerie Jue de Paume. Quase me deu um ataque ao ver os lírios de Monet.

Como um humilde não-milionário, não fui capaz de preencher a minha casa com obras de arte de valor inestimável – que choque. Contudo, na minha idade adulta tenho comprado arte fotográfica e pinturas abstratas.

Os anos passam e o meu gosto pelo abstrato eclipsou o meu rendimento, por isso ensinei-me a pintar. Queria que acontecesse de forma livre e orgânica, assim como quando a tua tia Millie, bêbeda, faz uma dança interpretativa do “Rhapsody In Blue” no jantar de Ação de Graças. Sim, como isso, mas melhor.

À medida que ia pintando, peguei-lhe o jeito e adorei. Ao que parece, outros também e consegui esculpir uma segunda carreira.

Percebi que existem inúmeras razões para as pessoas comprarem arte valiosa

Existem amantes de belas artes, que têm negociantes e casas de leilão em marcação rápida. Colecionadores que gastam milhões. Apreciam o trabalho, são investidores experientes e para eles é uma grande paixão. Essas pessoas são raras.

Depois tens as pessoas que colecionam arte (assim como casas, carros, joias, aviões e muitas vezes, esposas) para mostrar a sua riqueza. Arte dispendiosa (não necessariamente boa arte) é sinal de estatuto e privilégio.

Quando leio sobre Jeff Koon “Balloon Dog” ser vendido por 58.4 milhões, vomitei um pouco – não digo que seja comunista, mas vá lá.

Acho que percebem onde quero chegar. Num mundo perfeito, a arte não deveria ser considera um símbolo de estatuto. A minha mensagem é: “Toda a arte é subjetiva” (não inventei esta frase) por isso compra ou pinta o que te fizer feliz. Põe uma moldura nas pinturas de impressões digitais dos teus filhos. Apenas tens de te certificar que é algo que te vá fazer sentir bem (não apenas porque condiz com o teu sofá novo, mas se for isso tudo bem). Ganha alegria com isso.

Nota: Se tivesse uma máquina do tempo, iria para Nova Iorque em 1915, antes de Jackson Pollack conseguir pegar num pincel e roubava a sua ideia. Apenas um pouco de tinta de casa e agitava por todo o lado. Iria evitar beber e conduzir, e depois ia entrar na máquina do tempo e voltar (uma pessoa não envelhece na minha máquina do tempo imaginária) para o tempo em que o seu trabalho (o meu) era mais valioso.

Depois com esse dinheiro iria comprar uma pequena Villa na Amalfi Coast e (depois de gastar milhões a alimentar os mais pobres e a contribuir financeiramente para salvar o planeta), talvez comprasse o Monet para mim.

WORDS & PHOTOS: LIZ RAMOS ANDERSON

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