Jorge Dias at the Mod Club, Toronto
noahganhao.com

O homem por detrás do Mod

Jorge Dias

Há algumas semanas atrás, cruzei-me com o Jorge e mostrei-lhe algumas das questões que pretendíamos fazer para a capa desta edição. O Jorge agarrou o meu telemóvel, introduziu o seu contacto e enviou as questões para ele próprio. Quando me devolveu o telemóvel, reparei que se tinha autointitulado de ‘Jorge from Mob’, o que é engraçado porque é assim que o conheço – não fazia ideia de qual seria o seu apelido. Quando lhe mencionei isso, riu-se e disse-me que não era o único. “As pessoas identificam-me através do sítio de onde me conhecem – Jorge do Mob, Jorge do QET, Jorge do Aquario, Jorge do Alto Basso’. Qual o Jorge que conhecemos não importa e obviamente não importa para ele. O que importa é o impacto que teve na vida noturna de Toronto e em como milhares de pessoas o associam com os variados negócios que geriu durante anos.

Atualmente, o Jorge é o anfitrião das festas no Mod Club Theatre, Queen Elizabeth Theatre e no FountainBlu. Ele certifica-se que ninguém tem problemas. É o curador, durante toda a semana filtra inúmeros e-mails de bandas que querem atuar no Mod Club. É o homem de negócios que trabalha de perto com promotores, garantindo que as necessidades dos artistas são cumpridas. É o anfitrião que recebe à porta aqueles que frequentam os concertos. É o Jorge de onde quer que o tenha conhecido. É o Jorge Dias.

Luso Life: Começou a trabalhar cedo e parece que está na indústria desde sempre, como é que tudo começou?

Jorge Dias: Um passo de cada vez (risos). Tudo começou num pequeno café quando eu tinha 18 anos – Café Aquario – e tudo cresceu daí. O Aquario era um café muito popular no centro de Little Portugal. Depois de gerir o café durante sete anos, senti que era tempo de mudança e apresentou-se a oportunidade de comprar um local maior, então abri o Alto Basso que se tornou num ponto de encontro na College. Com um conceito diferente do Café, incluía um restaurante e a atuação de DJs ao vivo.

Mais tarde, a grande oportunidade foi apresentada por Bruno Sinopoli (dono do Mod & QET) que me deu a oportunidade de gerir dois dos melhores locais de eventos de música de Toronto – o Mod Club Theatre e, pouco tempo depois, o Queen Elizabeth Theatre. Gostar do que fazemos, traz-nos oportunidades.

LL: Como é que ao longo dos anos as multidões nestes clubes têm mudado?

JD: Eu penso que agora existe uma maior diversidade na idade das audiências. Algumas atuações terão audiências que vão desde os 16 aos 60 anos de idade. Algumas audiências terão mais de 30 anos e outras serão sobretudo menores de 18 anos. Atribuo isto às linhas ténues dos géneros musicais, reunion tours e ao aumento do estrelato no YouTube. Em geral, no decorrer dos últimos 5 anos, vi um aumento em massa na quantidade de atuações ao vivo e na quantidade de pessoas que vai aos concertos. Acredito que estamos no meio de um momento excitante não apenas na música, mas mais especificamente na música canadiana. Toronto tem-se tornado incrivelmente mais conhecido no campo do desporto e na indústria musical. O que teve um enorme impacto não apenas no turismo, mas também no número de bandas que fazem a sua tour pelo Canada, o que em retorno proporcionou um impacto na quantidade de pessoas que frequentam estes concertos.

LL: Vai a outros locais? Existe algum que tentou usar como modelo?

JD: O meu recinto favorito é o Budweiser Stage devido ao seu conceito aberto, perto do lago – lembra-me Portugal. Fico ansioso por assistir a eventos no Bud Stage. Estar numa indústria onde diariamente estou rodeado de música alta, torna os momentos tranquilos fundamentais, por isso sentar-me no pátio de um restaurante com amigos ou ver televisão nos dias de folga são a forma como relaxo antes da próxima onda de concertos.

Nesta indústria, um cavalheiro com o nome de Bechara “Charles” Khabouth tem sido o meu ídolo desde o primeiro dia. Khabouth é dono de uma discoteca, de um restaurante, promotor de música e hoteleiro, nomeado como o “King of Clubs” devido à sua influência na vida noturna da cidade. Stillife, uma discoteca chique, para um público elegante e para o Governo, um local de música ao vivo que era também um hotspot para os Rave Kids da cidade.

LL: Como foi gerir um recinto conhecido por receber artistas antes do seu grande sucesso? Existiram algumas atuações de artistas que sabia que se tornariam grandes?

JD: Tenho um grande orgulho por fazer parte de um recinto conhecido por receber artistas antes de se tornarem um sucesso. Penso que muito se deve ao elevado nível de produção, ao mesmo tempo que temos uma capacidade de nível médio. Uma produção de grande qualidade permite aos artistas que estão a crescer terem o look e som profissional de que precisam. A capacidade ser de nível médio permite que a sala se encha com facilidade enquanto o artista aumenta a sua base de fãs e em troca, garante aquela faísca de energia que todos procuramos numa atuação ao vivo. Temos a aparência e o sentimento de um recinto grande ao mesmo tempo que garantimos a capacidade de tamanho perfeito para um artista em ascensão.

Alguns artistas, soube imediatamente que iam ser grandes. The Weeknd, Billie Eilish, Drake, Florence and The Machine, para nomear alguns de um conjunto de cerca de 300 artistas que atuaram anualmente. Com artistas como estes, há qualquer coisa cativante quando entram em palco. A sua energia, a forma como a audiência está fascinada, não há nada assim.

LL: Não me parece ser alguém que se fascina com alguém famoso. Existe alguém que tenha mudado isso?

JD: Acho que neste tipo de trabalho é difícil deixarmo-nos impressionar por alguém famoso. Vês os artistas fora do palco e são como qualquer outra pessoa, humanos. Vês a sua personalidade humilde sobressair nesses momentos informais. É difícil ficarmos impressionados quando os viste a relaxar em pijama 3 horas antes do espetáculo.

LL: Como é que trabalhar nesta indústria tem afetado a sua vida pessoal? Considera que tem consumido a maioria dela, ou a grande maioria? Bom, mau, etc.

JD: Penso que, como qualquer pessoa nesta indústria esta carreira pode consumir todo os pontos da nossa vida. De certa forma, tens de comer, dormir e respirar este negócio para poderes ter sucesso. E não digo que seja uma coisa má, adoro aquilo que faço e penso que isso não só se transparece no meu trabalho como faz com que alguns dos sacrifícios valham a pena. As longas horas, o stress e o ritmo apressado não fazem tanta mossa quando estamos apaixonados por aquilo que fazemos.

LL: Quando era mais novo, era um corredor, continuou com essa atividade ou outras para manter o seu bem-estar?

JD: Enquanto crescia o desporto estava sem dúvida no meu sangue. Joguei futebol, fiz atletismo, joguei hóquei, mas parei tudo quando entrei para a indústria do entretenimento. Horas tardias e madrugadas nunca acabam bem. (risos)

LL: Músicos, artistas, celebridades, frequentemente caem no hábito de abuso de substâncias. Como alguém que está submerso neste mundo, já viu este lado do estrelato? Fez parte da sua própria vida.

JD: Sexo, Drogas e Rock & Roll! O abuso de substâncias está certamente presente nesta indústria. É incrivelmente fácil cair em maus hábitos quando não só estás rodeado por eles todos os dias, mas ainda são normalizados. Já vi isso consumir completamente as pessoas e até acabar com as suas carreiras. Acho que ver as repercussões negativas ajudou a manter-me sob controle.

MOD CLUB
722 College St, Toronto
themodclub.com

 

WHO’S PLAYED THE MOD? JORGE HAS PUT A PLAYLIST TOGETHER FEATURING 21 OF HIS FAVOURITES.

TEXTO: DAVID GANHAO
FOTOS: NOAH GANHÃO

Jorge Dias at the Mod Club, Toronto
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Jorge Dias at the Mod Club, Toronto
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