Honda Indy

Ver as rodas

Superficialmente, o automobilismo é muito parecido com sexo – não é muito um desporto de expectadores. Sentas-te (ou procuras um lugar para estar em pé), bebes cerveja muito cara, vês carros a passar na pista à tua frente e no final do dia, a tua carteira está vazia.

Depois de ir ao Honda Indy deste ano, em Toronto, fiquei fascinado com os mais de 30,000 fãs de automobilismo que se dirigiram à pista para ver um desporto, mesmo que não consigam de facto ver toda a pista, independentemente de onde se sentam ou se estão em pé. É também impossível perceber quem está a ganhar a corrida, a menos que estejas a vê-la ao vivo no teu iPhone. Ver em casa parece uma solução mais lógica – estás confortável, não perdes um único segundo da ação e a cerveja é mais barata – mas a lógica nem sempre é a melhor solução.

Os únicos desportos reais são automobilismo, touradas e escalar montanhas… todos os outros são jogos.

Ernest Hemingway

Isto não é golf, é automobilismo. Não tem a ver com conforto – mas sim com adrenalina. O automobilismo ao vivo oferece uma experiência que não consegues obter do sofá da tua sala – o cheiro a borracha queimada e combustível penetra o ar, o rugido dos motores e a experiência de fazer parte da atmosfera de alta-intensidade de 30,000 fãs apaixonados. Fãs que levam cada corrida muito a sério. Fãs que correm cada volta vicariamente através dos olhos do seu condutor favorito, porque o perigo é intrigante.

Se tudo parece estar sob controle, então não estás a ir depressa o suficiente.

Mario Andretti

O perigo é uma parte integrante da atração. No Indy Car a velocidade máxima é 300km/h e as rodas estão a centímetros uma das outras já que os condutores tentam chegar ao primeiro lugar. Qualquer erro de calculo mínimo pode ser catastrófico, é por isso que existe uma ligação forte entre humano e máquina – competem como um só. O humano não tem medo, empurra até chegar à beira do desastre e a máquina está sintonizada até à perfeição para que seja responsiva, previsível e confiável.

Naturalmente, nas corridas são implementas variadas medidas de segurança – os condutores utilizam arnês de segurança, capacetes e fatos resistentes ao fogo; os carros têm armação para proteger em caso de acidente; a cada esquina estão trabalhadores de segurança; e o mais importante, na pista ninguém está bêbedo ou a enviar mensagens – mas a questão “Porquê colocar a vida em risco num desporto que pode matar” ainda permanece.

Estar em segundo lugar, é estar em primeiro daqueles que perderam.

Ayrton Senna

Como seres humanos, a maioria de nós tem a necessidade de ser mais rápido que os restantes. O que quer que seja que estamos a fazer, queremos fazer primeiro e melhor do que o resto, mas a maioria de nós não está disposta a arriscar a sua vida para sair vencedor. Assim que o pedal é empurrado até ao chão, domina a adrenalina e a concentração, e o condutor entra naquilo que é nomeado de “racing high”. Os barulhos de fundo da vida rotineira são silenciados e sobressaem os pensamentos de como passar o carro da frente. É viciante.

Quando estava na F1, o sexo era seguro e o automobilismo perigoso.

Jackie Stewart

A verdade é que corridas de carros nunca serão 100% seguras, as DST estiveram sempre presentes, assim como o desporto, e são aproveitadas de formas diferentes. Alguns adoram ver das bancadas, outros pagam um extra para entrar nas áreas VIP e muitos preferem simplesmente ligar a televisão e ver do sofá, mas nada pode fazer a adrenalina fluir como sentar num cockpit, e seres tu próprio a acelerar para a linha de chegada… pelo menos, foi o que me disseram.

WORDS: DAVID GANHÃO
PHOTOS: NOAH GANHÃO

Honda Indy
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