The Beatles Illustration

Não consigo esquecer

THE BEATLES

Recentemente, numa conversa com um amigo sobre a colaboração de 2015 de Paul McCartney com o Kanye West e Rihanna, onde discutimos o quão perturbador era que muitas pessoas mais jovens pensavam que o Sir Paul tinha sido descoberto pelo Kanye, o que me levou a fazer algumas contas. A primeira vez que ouvi falar dos Beatles andava no quinto ano, nove anos depois dos Fab Four se terem separado e seguido caminhos diferentes. Um ano depois, John Lennon seria morto a tiro no seu apartamento em Nova Iorque e a minha obsessão iria intensificar-se. Onze anos depois, o jovem Kurt Cobain e a sua banda, Nirvana, davam o tão precioso estalo na cara à indústria da música – três anos depois, também ele seria morto a tiro, apesar de ter sido num ato de suicídio. Eu tinha 24 anos quando isto aconteceu. São muitos os que consideram Kurt como a voz da Geração X e pessoalmente, lembro-me dessa era como se fosse ontem, mas não foi… já foi há 26 anos atrás e os The Beatles tinham-se separado já 24 anos antes disso. Sem a ajuda de uma calculadora, isso significa que os Beatles já se separaram há 50 anos – oficialmente, a 10 de Abril. Se recuarmos 50 anos antes da primeira vez que fiquei a conhecer os The Beatles, então chegamos a 1929. Uma pesquisa rápida na Wikipédia sobre o top de músicas desse ano leva-me (um autoproclamado nerd da música) a uma página com centenas de músicas e artistas que, na sua maioria, nunca ouvi falar… mas ainda existem alguns que 91 anos depois ainda são famosos – Cole Porter, Louis Armstrong, Irving Berlin. E porque é que são lembrados? Porque transformaram e revolucionaram a música durante a sua época. Mais nenhuma banda revolucionou a música moderna como The Beatles. Em apenas sete anos, conseguiram mudar a música para sempre – evoluindo do pop Love Me Do (o primeiro single) para a complexidade do Abbey Road Medley que inclui as últimas músicas gravadas pela banda. Com uma estimativa de mais de 2 biliões de singles vendidos a nível mundial e mais de 600 milhões de álbuns (mais do que os Led Zepplin e Rolling stones em conjunto). Venderam mais música do que qualquer outro artista na história. Com a ajuda do engenheiro Geoff Emerick e do produtor george Martin, foram pioneiros nas técnicas de gravação que ajudaram a criar inúmeras obras-primas e treze anos antes, ainda antes da MTV, The Beatles criaram o vídeo de música para o ‘Paperback Writer’.

Vemos a sua influência diariamente. Artistas como Frank Ocean e os Beastie Boys utilizam amostras da sua música para criarem novas músicas de autoria própria, músicos desde Bruce Springsteen a Dave Grohl citam-nos como parte da sua inspiração, os Oasis construíram uma carreira com base no som dos The Beatles e futuros músicos sentam-se em casa a tocar no jogo The Beatles: Rock Brand. Paul McCartney e Ringo Starr (ambos já nos seus 70’s) continuam a atuar e as suas músicas continuam a entrar nas tabelas (a edição de aniversário “Abbey Road” conseguiu ficar em 3 no Billboard o ano passado).

Tendo descoberto The Beatles já depois da sua separação permitiu-me explorar a sua música ao meu próprio ritmo. E eu fiz o mesmo com os meus filhos, preparei as suas playlists com músicas próprias para crianças como ‘Octopus’s Garden’, ‘Hey Bulldog’ ou ‘Everybody’s Got Something to Hide, Except for Me and My Monkey’. Ver os The Beatles serem descobertos através de um novo par de ouvidos é realmente bonito.

Passei o verão de 2018 a trabalhar com o meu filho, a desenhar e compor o Milénio Stadium, um jornal semanal produzido pelo MDC, a empresa mãe da Luso Life. Passámos muitas noites até tarde em estúdio a trabalhar e a ouvir música que usámos como uma oportunidade para nos educarmos um ao outro. Os The Beatles tornaram-se uma presença frequente. Primeiro, era eu que escolhia a playlist, mas pouco tempo depois, o Noah já adicionava Revolver, o White Album ou um dos outros álbuns. Apesar de ele conhecer e adorar muitas músicas dos The Beatles, ele desconhecia o seu corpo de trabalho como um todo, por isso decidimos ouvir o catálogo de forma cronológica para se sentir a sua evolução. Ao longo do processo, eu abria o arquivo que tenho na cabeça, e oferecia pedaços de informação para acompanhar cada canção. Como alguém que cresceu a adorar cada nota tocada pelos Fab Four, ver o meu filho de 19 anos descobrir a sua música pela primeira vez deu-me um sentimento de satisfação – isto não era a minha música, era a nossa música.

Quando comecei a escrever este artigo, estava sentado numa praia em Cuba (confesso que sou viciado em trabalh). A música de dança tocava nos altifalantes e animava a multidão, mas a maioria não consegui reconhecer até que o DJ tocou algo mais familiar ‘Come Together’ – um dos hinos dos The Beatles escrito por John Lennon. As pessoas aplaudiam e dançavam ao ritmo deste remix fora do normal. A batida continua por uns 30 minutos até que o DJ lança outra música dos The Beatles – Let it Be (um clássico de McCartney) e a multidão de adolescentes em Spring Break cantam.

Quando as minhas férias terminaram, regressei a um mundo diferente – com o combate à pandemia global do COVID-19, e mesmo assim The Beatles continuam a ajudar a unir pessoas. Já li artigos de hospitais que tocavam ‘Here Comes the Sun’ através dos sistemas de comunicação quando os pacientes tinham alta; a época do distanciamento pessoal conduziu às multidões cantarem ‘Yellow Submarine’ nas suas varandas; McCartney participou no “One World: Together At Home” um evento de recolha de fundos para ajudar os trabalhadores da área da saúde e a World Health Organization; A cidade de Londres aproveitou-se do confinamento e aproveitou para repintar a passadeira do Abbey Road que estava desgastada pelos anos em que os fãs recriavam a icónica capa do álbum; e os próprios The Beatles deram uma prenda a quem estava preso em casa – organizaram uma exibição prolongada do “Yellow Submarine” no YouTube, acompanhado do download gratuito de livros de colorir do “Yellow Submarine”. E os fãs adoraram.

Apesar do seu divorcio amargo, a mensagem definida dos The Beatles era ‘All You Need is Love’, e 50 anos em que somos deixados com música que transcende gerações à medida que continuamos a partilhá-las uns com os outros. O filme Yesterday, de 2019, imagina um mundo sem os Beatles e, tal como eu, chegam à conclusão que isso simplesmente não pode acontecer.

CRIÁMOS UMA PLAYLIST COM AS NOSSAS 50 MÚSICAS FAVORITAS DOS BEATLES PARA DESFRUTARES.

TEXTO & ILUSTRAÇÃO: DAVID GANHÃO

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