Nico Paulo
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Tu tens “the beat”

THE BEAT SERIES

O artista pop Andy Warhol previu que “No futuro, toda a gente vai ser famoso a nível mundial durante 15 minutos”. Este era um presságio de para onde se dirigia a cultura de celebridades – um mundo onde as pessoas se tornam “estrelas” devido a quem fingem ser, depois desaparecem tao depressa como aparecerão – a geração TikTok. Apesar de esta citação se inserir com a sua ideologia de Arte Pop, ele levava a sério a arte e os artistas que o rodeavam. Em 1965, Warhol foi apresentado a uma banda de rock, co-liderada pelo poeta de rua Lou Reed de Nova York e um violinista galês chamado John Cale. Andy não tinha um único osso musical no seu corpo, mas depois de ouvir os Velvet Underground atuar, rapidamente tornou-se manager e usou a sua influência como artista famoso para lhes conseguir um contrato musical com Verve. Sugeriu que um modelo alemão, Nico se juntasse à banda como vocalista em algumas músicas e ele desenhou a capa para o seu álbum (tenho a certeza de que já viste a publicação da banana que Warhol fez). Também assumiu o papel de produtor o que, de acordo com Lou Reed, significava que “ele apenas se sentava lá e dizia ‘Oh, isso é fantástico’ e pagava as sessões de gravação”. Isto, claro que permitiu à banda criar a sua arte. Comercialmente, a banda foi um falhanço – com o primeiro álbum a vender umas meras 30,000 cópias. Hoje, o debut dos VU é considerado um dos álbuns mais inspiradores de todos os tempos, com o músico Brian Eno a afirmar “todos os que compraram uma daquelas 30,000 cópias começaram uma banda.”

Warhol começou a sua vida profissional como designer, a desenhar sapatos, no entanto, o seu desejo era criar algo que o conduzisse a coisas maiores – ser conhecido como o melhor artista do planeta. O que muitos não sabem é que ele não fez isto sozinho. Sim, ele era a força criativa, mas também existia uma equipa de pessoas a trabalhar no seu estúdio em Nova York a que ele chamou The Factory – pintores, cineastas, atores, músicos, escritores – todos a fazer arte. Como seu líder, ele era essencialmente o “designer a fazer arte”.

Por vezes, comparo trabalhar na MDC com aquilo que deve ter sido fazer parte da Factory de Andy Warhol nos anos 60 – um local onde as mentes criativas se juntam para produzir arte, dirigidos por um homem (que é provavelmente tao excêntrico como nós) que incentiva todos a produzirem boa arte. Para o caso de algum dia termos dúvida daquilo que esperam de nós, o nosso líder, Manuel DaCosta, facultou uma obra de arte para cumprimentar todos os que aparecem nos estúdios da MDC em Etobicoke – uma porta colorida com a frase “Entra, mas Cria” pintada ao nível dos olhos – e é isso que fazemos. Criamos revistas, jornais, programas de televisão, programas de rádio e criamos música, por isso, não me surpreendi quando o Manuel anunciou que iria lançar um concurso de música que daria aos artistas a oportunidade de gravar.

Admito que da primeira vez que ouvi essa ideia, pensei que algo não ia correr bem. Principalmente porque falta credibilidade a muitos dos outros concursos que existem localmente – já soube de músicos que depois de entrarem lhes foi pedido que investissem dinheiro na própria carreira. O que torna este concurso diferente é o Manuel DaCosta – o homem por detrás disto tudo. Ele é um homem conduzido pela paixão e compromisso com a promoção das artes, especialmente o talento dos mais jovens. Da sua paixão surgiu a ideia para o The Beat Series – dois concursos sob o mesmo ideal: LusoLife Beat que se foca nos músicos luso-canadianos e NewWorld Beat que está aberto a qualquer músico canadiano.

A competição é multifacetada e será gravada como parte de um especial para a televisão que será transmitido na Camões Tv. O Diretor Musical do MDC, Reno Silva explicou como vai funcionar. “Existe um processo de avaliação, além disso vamos conhecer as suas vidas – queremos ver os concorrer no seu elemento. Retratamo-los em suas casas, no palco, nos espaços de ensaio ou no estúdio, onde eles nos falam do seu passado e do motivo que os leva a perseguir uma carreira como músicos. Isto, foi seguido por uma audição que por fim levará à atuação ao vivo no MOD Club Theatre em Toronto. Nesta fase, cada artista irá atuar com pelo menos três cancões originais que serão avaliadas. Além do talento de cantar, estamos atentos às suas composições originais, à presença em palco e à interação com o público. Também existe um componente dedicado às redes sociais onde a equipa monitoriza o tipo de reações que os concorrentes recebem.”

No momento em que este artigo foi escrito, o LusoLife Beat estaria em busca da próxima estrela lusófona. A competição trouxe candidatos que representam uma grande porção do espectro Luso (de Portugal, de Goa, do Brasil, etc.) que vi atuar ao vivo na série de concertos no MOD. A série que aconteceu durante quatro noite, foi uma vitrine diversificada de diferentes estilos musicais – samba, indie, hip-hop, jazz, pop e rock – o que me deixou curioso, quem será que leva o prémio de $5000 em dinheiro e um contrato de gravação com o MDC Media Group?

Parte da genialidade de Warhol era a sua habilidade de ver os diversos tipos de criativos e dar-lhes uma oportunidade de evoluírem como artistas, sob o apoio da The Factory. Ele deu-nos os Velvet Underground e o MDC, bem, ainda não sabemos bem. Os vencedores serão selecionados, ser-lhes-á dada a oportunidade de criar e apenas o tempo dirá se aproveitam os “15 minutos de fama” ou tornam-se lendas e o tema de um artigo de revista 55 anos mais tarde. Boa sorte!

thebeatseries.com

WORDS: DAVID GANHAO
PHOTOS: MIKE NEAL

Nico Paulo
Nico Paulo
Peter Serrado

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