Ana Golja

Ana Golja

Uma atriz talentosa, dançarina e cantora, Ana Golja fez o seu nome quando fez o papel de Zoë Rivas, na famosa série Degrassi: The Next Generation, agora com 24 anos adicionou o papel de produtora no seu currículo. O seu novo filme, The Cuban que inclui no elenco Louis Gossett e Shohreh Aghdashloo que está em exibição em drive-ins por toda a América do Norte. 

A Ana foi convidada para participar no Here’s The Thing da Camões Tv, onde falou com Manuel DaCosta sobre a sua carreira e sobre o seu filme. 

Luso Life: És canadiana, mas com uma descendência diversa, quais são as tuas raízes? 

Ana Golja: Tenho raízes mistas, ambos os meus pais nasceram e foram criados na Albânia, mas temos descendência espanhola, alguma grega, alguma germânica e judaica. Sou a primeira geração, nascida e criada em Toronto. 

LL: Quando é que começaste a atuar?

AG: Comecei na dança com 5 anos. As artes sempre foram muito encorajadas, apoiadas e celebradas na minha família. Víamos muitos filmes antigos – filmes da Shirley Temple, sentia-me inspirada por ela. Por isso, com 5 anos, fui para a banheira, abri a água e comecei a bater os pés para imitar os sons que ela fazia. Quando os meus pais viram isso, levaram-me para aulas de dança, depois competi durante 14 anos. Ainda danço e faço musicais. É algo que está no meu sangue, no meu coração. 

LL: Aos nove anos fizeste a transição para televisão.

AG: A primeira audição que fiz foi para um papel de estreia como convidada numa serie televisiva chamada 1-800-Missing. Começou com alguns papeis recorrentes, depois fiz vários trabalhos para o Family Channel, Disney e Nickelodeon. Fiz o White Christmas na Broadway, depois o The Sound of Music no Princess of Wales Theatre e desde aí não parei. 

LL: Só tens 24 anos e já conquistaste tanto – és artista musical, dançarina, atriz, é incrível como interligas todas estas coisas. 

AG: Para mim são todas a mesma coisa, são todas uma forma de expressão, uma maneira de contar uma história e isso é a minha parte favorita. 

LL: Na tua carreira musical, lançaste um álbum, Epilogue, em 2018 e neste momento estás a trabalhar no próximo. O novo álbum é muito diferente ou segue as mesmas raízes?

AG: Sem duvida as mesmas raízes no que diz respeito a serem todos pessoais – sou coescritora e isso é o núcleo do processo. A nível sonoro, a produção é muito diferente do primeiro lançamento. É mais atual e mais para o lado da música de dança o que é muito entusiasmante dada a minha história com dança. Mais do que nunca, quero criar um espetáculo e entreter as pessoas. 

LL: Como é que a pandemia afetou a tua criatividade? O que conseguiste fazer para manter as coisas a andar? 

AG: No início foi um choque… o mundo a acabar, tudo fechado. Foi muito difícil porque estava numa trajetória com o The Cuban. Tinhamos o nosso lançamento teatral pronto para 24 de Abril e de repente isso desapareceu. Estava tudo em espera ou cancelado. Através disso, apercebemo-nos do quão gratos devemos estar se somos saudáveis, estamos rodeados de família e se temos tudo o que precisamos. Com o tempo livre que tinha, pude assistir a muito conteúdo e ouvir muita música. Isso, combinado com todos os movimentos que estão a acontecer neste momento, levaram-me a escrever mais. 

Este é um momento para reflexão e crescimento, e acho que todos vamos sair dele mais fortes. 

LL: O quão importante tem sido a família como fator de apoio?

AG: A minha família é sempre o mais importante e apoiam-me muito e aquilo que faço. Durante a pandemia, todos trabalharam de casa, por isso conseguiram adaptar-se facilmente. Sinceramente, eles adoram porque não têm de perder uma hora no trânsito para chegar ao trabalho, mas sabiam a forma como estava a lidar com tudo e estiveram sempre lá para me alegrar. 

LL: Falas da tua bisavó sempre com muito carinho. 

AG: A minha bisavó imigrou para o Canadá quando eu tinha oito anos de idade. Cresci com ela a pentear o meu cabelo todos os dias antes de ir para a escola e eramos muito próximas. Há 15 anos ela sofreu dois AVC’s e depois disso tem sido um declínio constante – foi diagnosticada com Alzeimer’s e Demência. Tem sido difícil para todos, especialmente para a minha avó que é a cuidadora e praticamente não vê a luz do dia há 15 anos… isso é amor verdadeiro. 

LL: O ponto principal do The Cuban é a importância dos nossos ancestrais. 

AG: O meu parceiro teve um sonho com o seu avô, em que se arrependia de não ter passado mais tempo com ele, ouvir as suas histórias e a sua sabedoria. Isso, juntamente com a situação da minha bisavó a lidar com Alzheimer, foi como tudo começou para nós. 

LL: Porquê o nome The Cuban?

AG: Somos todos grandes fãs de música jazz e percebemos o quão incrível é a música jazz cubana e os músicos que tocam aqui em Toronto. À medida que desenvolvemos a história e o elemento musical, decidimos que tínhamos de mostrar os artistas incríveis que temos no Canadá e essa diversidade está representada no filme. 

LL: Quem é que representas no filme?

AG: Eu faço papel da Mina. É uma imigrante Afegã que tem o seu primeiro trabalho num lar. É aí que conhece Luis, interpretado por Louis Gossett Jr, que tem demência, e através da música descobre que ele era um músico famoso em Cuba. O filme explora as memórias de Cuba e a relação linda que desenvolvem. 

LL: Quando terminado, o filme cumpriu as expectativas que tinhas? 

AG: Ultrapassou-as. Nunca tinha trabalhado com o meu diretor antes, Sergio Navarretta. Obviamente, sabia que ele era incrivelmente talentoso e um verdadeiro artista – todos sentiram isso, até quando estávamos a filmar. Ele tocava a nossa trilha sonora entre as cenas para manter todos motivados. Ainda assim, não sabia o que esperar a nível visual e no final, estava lindo. 

LL: Como é que o filme foi recebido no Canadian Film Fest? 

AG: Foi interessante porque foi virtual, por isso é difícil perceber a recetibilidade através das redes sociais. Tivemos vários comentários positivos, mas é diferente de estar numa sala com uma audiência e ver o que eles sentem. 

LL: Sentes frustração por não poderes exibir o filme da “forma normal”? 

AG: Filmámos em Toronto e em Havana. Depois de 4 anos de trabalho, claro que é frustrante… temos de criar uma nova forma das pessoas verem o filme e consumirem o conteúdo. Felizmente temos um excelente grupo de produtores, nós quatro decidimos fazer um lançamento drive-in, por isso tivemos a estreia no Festival Lavazza Drive-In a 20 de julho. E esgotou! Está agora a ser transmitido em cidades selecionadas. 

LL: Porque te decidiste tornar numa empreendedora e começar a produzir filmes?

AG: Ter estado no Degrassi durante seis temporadas, fomos desde fazer MTV e Nickelodeon com temporadas de 40 episódios para o Netflix onde o standart são 10 episodios por temporada. Por isso, passei de filmar 9 meses do ano para 4 meses. Por isso, tinha bastante tempo livre, queria fazer algo diferente e expandir os meus horizontes dentro desta indústria. Queria compreender melhor o processo de produção. Quando és um ator, entras em set e pensas que és o centro do universo, mas como produtor aprendes que és aquelas uma pequena parte do puzzle. 

Temos de ver o aspeto financeiro, a localização, a disponibilidade dos atores, etc. 

LL: O que te orgulha mais neste filme?

AG: Sinceramente, estou orgulhosa de termos chegado aqui. Inicialmente, o meu parceiro e eu, desenvolvemos isto como uma curta metragem, só por diversão. Algo doce que teria um impacto positivo no mundo, depois expandiu-se para algo maior do que imaginámos. Se soubéssemos na altura o que sabemos hoje, provavelmente nunca o teríamos feito. 

LL: A experiência vai marcar-te para sempre. 

AG: Sem dúvida, agora tenho o desejo pela produção. Já estou a desenvolver outro traço. 

LL: Sentes-te mais confortável em palco, em frente de uma audiência ao vivo ou em filme?

AG: São coisas muito diferentes. Diria que tenho um lugar especial guardado no meu coração para o teatro e para o palco. Ser capaz de sentir a audiência e alimentar-me da sua energia é algo que não posso replicar. É especial. 

LL: No futuro, o que gostarias de conquistar?

AG: Construir um império de comunicação! Eventualmente, chegaremos lá, leva tempo. No Canadá, não cresces em caixas – não há nada que te prenda. Se queres concretizar algo, consegues. Não cresces com o pensamento de não ser capaz de fazer alguma coisa. Fazer este filme teria sido algo cem vezes mais difícil se fosse nos Estados Unidos. Não existem fundos do governo como temos aqui. 

thecubanmovie.com

INTERVIEW: MANUEL DACOSTA
PHOTO: FADIL BERISHA

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