Lane Dorsey

Chega de tretas

LANE DORSEY

Pergunta a qualquer pessoa com mais de 40 anos para descrever um Millenial e muitas destas palavras vão-se repetir – preguiçoso, mimado, carente, pouco social, etc, etc, etc. À superfície estas descrições podem parecer certeiras porque a perceção é realidade, contudo, muitas vezes estes equívocos estão longe da verdade. Se alguma vez tiveste dúvidas, uma conversa com Lane Doney irá facilmente desmascarar quaisquer mitos dos Millenials a que te estejas a agarrar. Ele é um fotografo bem-sucedido, que dirige uma marca de moda, é também músico, mexe com vídeo, é modelo e ainda sabe encenar – impressionante. É o palhaço da turma, o miúdo fixe, o rockeiro, o inteligente, o skateboarder e o nerd cómico, todos em um. 

Quando me sentei para “entrevistar” o Lane, passámos 28 minutos a falar sobre tudo, desde David Bowie a MF Doom e Wacky Races, até The Magic School Bus… e depois a entrevista começou… e com entrevista, quero dizer que pedi ao Lane que me falasse de si, e o Lane fez o que faz em todas as áreas da sua vida – cumpriu com sucesso. Nos 56 minutos seguintes falou sobre como as coisas acontecem no mundo – chega de tretas e faz tu próprio. 

ACERCA DA QUARENTENA…

Ser um artista sem limites é a melhor coisa porque nunca me consigo realmente aborrecer. Ao longo da quarentenam, surgiram uma sucessão de eventos interessantes. Aquilo com que preenchia o meu tempo era a fotografia – apressar isso, sessões fotográficas, edição e mover a máquina da carreira fotográfica, mas era somente isso com um botão de pausa bem grande. Era uma oportunidade de experimentar outras carreiras – coisas que eu queria “aprofundar” e ganhar alguma experiência, como se preenchesse as etapas num jogo. Basicamente, como nas etapas de um jogo onde estive focado na campanha de fotografia e agora, bem se não posso fazer isso então mais vale dedicar-me à música, aprender um monte de coisas, fazer muita música, experimentar, ser interessante e aprender o máximo que posso durante este tempo… porque afinal, tenho tempo. Além disso, quero mesmo focar-me na marca e velocidade da minha marca de moda. Todos os dias, falava disto com os meus amigos. Como é que continuamos tudo a andar? Foi do tipo “ok, o que vamos fazer hoje? Vou fotografar conteúdo, vamos fazer uma venda pop-up, vamos enviar um email blast…” Foi como um comando de batalha. De manhã, fazia música e mais tarde, focava-me na marca de moda. 

Os últimos quatro de quarentena foram lindos porque as campanhas fotográficas não pararam, mas estava a aplicar-me a outras coisas. Estava a pôr em prática as minhas capacidades enquanto fotografo na música porque tinha de filmar videoclipes. Na verdade, dois deles venceram prémios. Entrei num festival de filmes que fazia arte especificamente da quarentena e venci o segundo e terceiro lugar. A fotografia complementou-se com a música e com a moda, por isso a fotografia nunca teve uma pausa, apenas se reorientou. 

Estava a fazer vários vídeos de música de atuações ao vivo, fotografar capas de álbuns, vídeos, aprendi muito a fazer vídeos num espaço 3D e comprometi-me a aprender algumas técnicas e ter tudo pronto – é para isso que serve a internet. Claro, pode-se argumentar isso devido à situação em que me encontrava. Se fosse um dia de chuva, nem teria internet. Tinha de ver a meteorologia, se tivesse de fazer um upload de 500mb no dia seguinte, conduzia até ao estúdio e fazia de lá. Senti que fazia parte da última geração onde os nossos pais nos enviaram para a rua para fazermos recados – vai buscar a tua bicicleta ou skate e desenrasca-te. Assim que ouves (assobios), “desculpem rapazes, está na hora de irem para casa”, conduzias a bicicleta de volta. Quando és forçado a estar sentado, sozinha, a fazer coisas, sinto que consigo. Percebi rapidamente que muitas outras pessoas não estravam a excluir os criativos, não podem simplesmente sentar-se ali e criar coisas ou fotografar coisas, ao que eu digo, “bem, e porque não?”

“Ahhh… não me sinto inspirado”

Ao que eu digo, “Bem, e porque não?”Percebo que muitas pessoas se sintam inspiradas quando estão em contacto com outras pessoas e tudo bem, mas se não consegues simplesmente sentar-se e criar alguma coisa, o que há de errado contigo? Deixa-te de tretas e desenrasca-te. Para mim é estranho que as pessoas tivessem essa dificuldade na quarentena. Diziam coisas do género “nas últimas três semanas, não vi ninguém sem ser o meu colega de casa ou os meus pais e os meus irmãos e isso é estranho.” Isso já são oito pessoas!

ACERCA DA MÚSICA…

Na maioria, a música sou só eu. Tenho dois projetos de música – STANE é completamente a solo e o outro projeto é a minha banda Hudson Rainer – onde o meu colega e melhor amigo Mike cria 90% das músicas, é o vocalista e guitarrista, e eu faço a produção, piano, bass drums, instrumentos de corda. Eu gravo, faço o mix e a parte de engenharia – tudo o que é técnico. É literalmente o equilíbrio perfeito para aquele projeto de banda, porque posso produzir bastante bem para o que posso. Acho que tenho uma boa base de conhecimento musical e referencias que posso articular um arranjo interessante, mas não consigo tocar guitarra nem por nada! (risos).

É aí que entra o Mike – não domino nenhum instrumento. 

Muitas das minhas músicas para o Hudson Rainer é indie-folk, old americana, de três ou quatro cordas, no máximo. 

O meu projeto a solo é mais ligado a jazz no design – diminuir cordas, super jazzy, cordas cinematográficas super estranhas, misturado com uma batida low-fi/hip-hop. É aí que surge o meu lema CRAP – contemporâneo, ritmo, alternativo, pop, porque é uma juncão de dois géneros pouco familiares. Sinto que fiz uma mistura interessante. 

A ideia de pegar em duas coisas que são opostas e juntá-las para ver como funcionam, é muito interessante e divertido. Normalmente, muita da minha música é guitarra e instrumentos eletrónicos. Adoro piano, tive de filmar um piano com 100 anos no último outono e tinha tanto carater, o que eu acho que se sente na música – o aconchego e as tendências análogas do piano, misturado com algo mais contemporâneo… foi uma divergência e isso funcionou para mim. Foi muito divertido fazer o EP, pensei “OK, eu fiz isto. Arranjei vários singles. Estou muito feliz com isto.” Sinto que posso pôr uma fita na caixa da experiência que diga algo assim “foi isto que fiz na quarentena, agora é seguir para a próxima coisa.”

ACERCA DA FOTOGRAFIA…

Agora o foco é a fotografia, está na hora. Tentar continuar de onde tinha parado. Os clientes atentos aos e-mails a perguntar se eu já estava a fotografar e a resposta é, claro que sim! Fiz uma sessão fotografia ontem fantástica para promover uma empresa cinematográfica. Fotografei um grupo de 7 pessoas e foi uma aquela surpresa de “wow, este foi o máximo de pessoas que eu vi nos últimos cinco meses.”

É ótimo estar de volta ao estúdio. Percebi que amo o meu trabalho… adoro fazer sessões fotográficas… sentia falta disto. Por isso, agora estou a compensar o tempo perdido – a tentar fotografar coisas interessantes, recuperar algum dinheiro para a minha conta. 

Todas estas novas restrições e requisitos são desafios, mas tudo bem, ainda podemos fotografar. Adoro o meu trabalho… quer fizesse milhões de dólares ou apenas o suficiente para sobreviver, era isso que escolhia… E onde estou agora, é uma dessas coisas. (risos)

COMO ME TORNAR MELHOR…

Tudo se baseia em aventurares-te por aí e fazer coisas. Mesmo que não sejam fotos ou arte incrível, tudo isso faz parte. Recebo e-mails e chamadas de seguidores e fãs a perguntar-me como melhorar – qual é a minha dica, e sou sincero, descobre. Não podes passar à frente as horas de caminhada para chegares ao destino. Podes aprender toda a teoria, mas tens de continuar. São precisas 10,000 horas para se tornar mestre em alguma coisa. Não existem atalhos para te tornar num artista melhor. Tornas-te m artista melhor através da tentativa e erro. Cria o caos, comete erros e deixa-te de tretas. 

ACERCA DAS REDES SOCIAIS…

Eu agradeço às redes socias, porque nenhum destes esforços seria tão visível se as redes sociais não existissem. Há muita porcaria nas redes sociais, mas acho que posso usar isso como uma ferramenta em vez ser uma ferramenta a usar as redes sociais. É um local fantástico para exibir qualquer coisa. É uma plataforma excelente, e não digo que vá parar apenas ali, mas é uma forma brilhante de expores o teu trabalho. Leva a mais trabalho e serve para atear o fogo, mas vou tentar viver de acordo com o lema se o Instagram desaparecer, ainda és relevante? Capaz de fazer negócio. Algumas pessoas apenas tiram fotografias para o Instagram, é esse o seu propósito final. Tens um website? Uma lista de e-mail? Quando comecei a minha marca de moda, pesquisei e desenvolver o Instagram foi ótimo, mas precisávamos de fazer a nossa lista e-mail crescer porque permite um acesso direto, sem filtros e sem ser adulterada. Podemos enviar uma mensagem no Instagram e é provável que 10% da tua audiência não a vá ver. 

As pessoas gostam de pensar que sabem os números milionários do jackpot no que diz respeito a operar as redes sociais… mas não. Vai lá para fora e continua. 

ACERCA DA MARCA DA MODA…

Master Supply Co. foi fundada por mim e por mais dois amigos, há 2 anos atrás. Tentámos designs diferentes – casacos; comprámos cortes e texturas de diferentes fábricas. Inaugurámos sexta-feira, 13 de Dezembro de 2019, e tem sido um abre olhos. Desenhámos todas as peças e recorremos a coisas que gostamos – isto precisa de ser um policia de mota vintage de 1955 que seja cool; quero que este casaco seja cool como um rancheiro de Montana que toca guitarra e rock and rol; quero referenciar todas estas coisas e juntá-las numa única construção e tem sido satisfatória ver as pessoas responder. Considerando que é uma empresa nova, as vendas têm corrido muito bem. Todos os dias temo-nos focado em desenvolver casacos e acessórios, chapéus, malas, fotografar conteúdo, colaborar com os nossos amigos – tudo isso está a ser fabricado agora. 

Temos uma linha de primavera/verão para 2020 e todo o trabalho árduo que dediquei a desenvolver a marca tem dado frutos. Todos os dias trabalho em coisas – pego nas minhas habilidades e aplico-as à marca de moda. Até desenvolvi a música para os vídeos de moda. Que excelente oportunidade para exibir, aplicar e executar as minhas capacidades enquanto artista e personificá-las com produtos tangíveis. 

Para mim, tornou-se evidente que se continuarmos a crescer a este ritmo, esta árvore da moda que plantei há dois anos talvez se expanda ainda mais que a árvore da fotografia da qual dependo dos seus frutos para me alimentar. A ideia é interessante porque nunca pensei que algo pudesse fazer isso. 

É extremamente satisfatório porque sou apenas eu e os rapazes a lutarmos por isso! Claro, todos os dias há tretas, mas todos os dias há sucesso. Todos os dias têm sido melhores que o último, e eu adoro isso. 

É como uma reunião dos Avengers – quando Lane Dorsey, o diretor de moda, se encontra com Lane Dorsey o diretor/fotografo, com o Lade Dorsey criador musical (som de explosão) para fazer um produto mesmo cool e que é inegavelmente meu. Algo tão fixe de olhar para o produto acabado e dizer “eu fiz isto”. Não num sentido narcisista ou de vaidade, mas puramente pelo sentido de conquista. 

AMANHÃ…

É divertido, é recompensador, e fico ansioso pelo amanhã – com tudo. Adoro ficar à espera do amanhã, daquilo que vou trabalhar no dia seguinte… sem que o dia de hoje perca do seu mérito. Gosto de ir para a cama com um plano e acordar com um propósito – umas palavras fixes que ouvi há uns anos atrás e pelas quais gosto de viver. O amanhã é sempre visto com esperança, como se alguma coisa fosse acontecer que vai tornar a minha vida melhor, mas deves ter essa forca perspicaz para fazer a mudança. 

linktr.ee/lanedorsey

WORDS: DAVID GANHÃO
PHOTOS: LANE DORSEY

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