collage cool people

Alguém que é cool

Ser cool é difícil de explicar. É uma atitude. Sabes que a pessoa é “alguém” mesmo quando não é “ninguém”. Existe uma vibe, um estilo natural ligado com o ser cool. Estas são pessoas que os restantes de nós desejávamos ser. Antes da internet, ser cool significava influência.

Por vezes, mesmo sendo difícil distinguir entre o verdadeiro cool e o cool manufaturado que é criado e disposto nas redes sociais para a geração de partilha de fotos.  Esta nova espécie poseur-cool pode ser vista por toda a internet a posar para a sua audiência em frente a lugares da moda. Daí “o influencer”.

À primeira vista, o influencer (um título que é simultaneamente um insulto e uma aspiração), não se parece muito diferente do miúdo cool do ensino secundário – bem vestido, de quem gostavam (naturalmente, estamos a contar seguidores) e com contactos. Utilizamos a palavra influencer como se tivesse algum significado por detrás dos anúncios que geram dólares e se forem honestos, irão dizer-te como funciona o jogo para ficar rico. Escolhem cuidadosamente as partes da sua vida que mostram ao mundo e se conseguirem calibrar o conteúdo corretamente, os seus seguidores sobrem e explodem, são influencers à espera que os anunciantes atirem dinheiro na sua direção. E porque as suas vidas são perfeitamente encenadas para nós, é impossível o influencer não se importar, o que é irónico, já que a essência de ser cool é não querer saber.

Aparentemente, os cool e os influencers já existem há milhares de anos. Pergunta ao Papa Francisco (sim, esse Papa). No ano passado ele escreveu num tweet “Com ela ‘sim’, Maria tornou-se a mulher com maior influência da história. Sem redes sociais, tornou-se na primeira ‘influencer’: a ‘influencer’ de Deus.” Desse “sim”, obtivemos Jesus, e de acordo com a palavra do King Missile, ele era bem cool… não acredites em mim, pesquisa. Está tudo documentado na sua música de 1990 “Jesus Was Way Cool”.

Com tanto cool durante tanto tempo, é difícil de acreditar que permaneceu sem nome até 1940s quando o legendário saxofonista de Jazz, Lester Young, utilizou a frase para se referir a um estado de espírito. “Isso é cool” referindo-se a “estou calmo” ou “estou relaxado neste ambiente” – em 2020, como se dissesse “I’m chill”. Nunca uma outra palavra teve raízes tão cool. O uso do calão da moda por Young influenciou a cultura do Jazz e os escritores da geração Beat (Jack Keroauc adorava-o). A sua base era o seu berço (crib), pão (bread) era a palavra que usava para dinheiro. Count Basie era o seu amigo (homeboy) e utilizava “dig” para descrever um grau mais profundo de perceção… percebes? Utilizava óculos de sol em palco, dentro de espaços fechados, à noite – ele representava o que era ser cool e nos anos 50, a sua palavra tornou-se o adjetivo favorito para descrever o estilo moderno.

Ser cool é uma situação de ou se tem ou não se tem, mas parecer-se cool já é um outro cenário completamente diferente – qualquer pessoa pode parecer cool. Vestir as roupas certas, conviver com certas pessoas, ir nas férias certas, depois cuidadosamente criar uma publicação no Instagram para o mundo ver… parecer cool é fácil, mas nos próximos 50 anos serão idolatrados como o Elvis, Miles ou Patti? Não me parece.

collage cool people

 

AS AN ACCOMPANIMENT TO THIS ARTICLE, WE’VE PUT TOGETHER A PLAYLIST OF SOME VERY COOL SONGS BY SOME VERY HIP ARTISTS.

TEXTO E ILUSTRAÇÕES: DAVID GANHÃO

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